Livro I

LIVRO I

I – A Gália divide-se em três partes...uma habitada pelos belgas, outra pelos aquitanos, a terceira por aqueles que na sua própria língua se chamam celtas e, na nossa, gauleses. Os mais bravos de todos estes povos são os belgas, porque são os mais afastados da civilização e dos costumes requintados daProvincia (“Narbonesa”, a partir de Augusto), porque os mercadores muito raramente vão aos seus territórios e deles não importam o que é próprio para amolecer os corações, porque são os mais próximos dos germanos, que habitam para lá do Reno, e com quem estão constantemente em guerra. O mesmo acontece com os Helvetii (região dos Alpes além do lago Lemmanus), que também ultrapassam em valor o resto dos gauleses, porque quase todos os dias estão em luta com os germanos, quer para os impedirem de penetrar nos seus territórios, quer para eles próprios lhes levarem a guerra ao seu país. A parte da Gália que os gauleses ocupam começa no rio Rhodanus e tem por limites o rio Garumna, o Oceano e a fronteira dos belgas (o Sena e o Marne); vai ainda até ao rio Reno do lado dos séquanos (Sequani) e dos helvécios. O país dos belgas começa nos confins da Gália e estende-se até à parte inferior do curso do Reno. A Aquitânia estende-se do rio Garona aos montes Pirenéus (Pyrenaeus) e à parte do Oceano que banha a Espanha.

II – Orgetorix (Orgetorige) era o mais nobre e o mais rico entre os Helvetii. Durante o consulado de Marcos Messala e de Marcos Pisão (em 61), juntamente com os nobres, persuade o povo a abandonar o país...os helvécios, pela natureza (do seu país), estão encerrados por todos os lados: de um lado, pelo curso do Reno, tão largo quanto profundo, que os separa do território dos germanos; do outro, pela muito alta cadeia do Jura, que se eleva entre eles e os séquanos; de um terceiro, pelo Lago Lemano e pelo curso do Ródano, que os separa da nossa província... o número da sua população tornava-lhes demasiado estreito um país que tinha 240.000 passos de comprimento por 180.000 de largura (a área indicada por César é superior à do território de facto ocupado pelos helvécios).

III – Compram animais de carga e carros em tão grande número quanto possível; semeiam todas as terras cultiváveis, garantindo trigo para a marcha; consolidam com os Estados vizinhos as relações de paz e amizade. Pensando que dois anos lhes seriam suficientes para os preparativos, com uma lei fixam a partida para o terceiro ano.

Orgetorige persuade Castico, filho de Catamantaloédis, séquano, cujo pai exercera durante muito tempo o poder real entre os Sequani e recebera do senado do povo romano o título de amigo, a apoderar-se do mando no seu Estado. Persuade igualmente o Aeduus Dumnorix (Dumnorige) irmão de Divicíaco, que então ocupava o primeiro lugar no seu Estado e que tinha o favor popular, a tentar a mesma empresa, e dá-lhe a filha em casamento.

Orgetorige ambicionava a mesma posição entre o seu povo. Aliam-se (Orgetorige, Castico e Dumnorige) entre si por juramentos de fidelidade e esperam que, uma vez reis, os seus três povos, que são os mais poderosos e os mais fortes, lhes permitirão apoderar-se de toda a Gália.

IV – Denunciado o projecto, os helvécios, segundo os seus usos, forçam Orgetorige a defender a sua causa carregado de cadeias; se condenado, ser-lhe-ia aplicada a pena do castigo pelo fogo. Porém, no dia da audiência, comparecem no tribunal todos os seus, cerca de dez mil homens, vindos de todo o lado...e também fez vir todos os seus clientes e os seus devedores, cujo número era grande. O povo, indignado com este modo de proceder, queria manter o seu direito pelas armas, e já os magistrados tratavam de reunir um grande número de homens nos campos, quando Orgetorix morre (na opinião dos helvécios, ter-se-á suicidado).

V – Logo que se acharam preparados para a empresa, lançam fogo a todas as suas cidades (cerca de uma dúzia), às suas aldeias (cerca de quatrocentas) e às casas isoladas; queimam todo o trigo que não tinham intenção de levar; ordenam que cada um leve farinha para três meses. Persuadem os Rauraci(ráuracos; celtas, nas duas margens do Reno, região do cotovelo que o rio faz perto de Basel; Alsácia meridional e cantão de Basel; capital da região, a partir de Augusto: Augusta Rauracorum; actual Augst), os Tulingi (tulingos, germanos; no antigo grão-ducado de Bade; porém, nas cartas, são situados numa outra região, a sudeste dos helvécios) e os Latobrigi(latobrigos; celtas ou germanos; nascente do Danúbio), seus vizinhos, que queimam também as suas cidades e aldeias...e juntam a si os Boii (boios; celtas), que tinham habitado para além do Reno e que haviam passado à Nórica, para pôr cerco a Noreia.

VI – Dois eram os caminhos possíveis:

Um pelas terras dos Sequani, estreito e difícil, entre a montanha do Jura e o rio Ródano (garganta de Ecluse, actual estrada principal de Lyon a Genève), onde os carros só um a um e com dificuldade podiam passar; por outro lado, uma alta montanha dominava-o (a Plat des Roches e, mais longe, o Grand Credo), de modo que uma fraca força armada facilmente o podia fechar.

O outro caminho passava pela nossa província, sendo muito mais fácil e seguro, porque o Ródano corre entre o território dos helvécios e o dos alóbrogos (a região montanhosa entre o Ródano, o Isère (Isara; Ísara), o Lago Lemano e os Alpes, correspondendo à Sabóia e ao Delfinado setentrional), recentemente submetidos (haviam-se revoltado em 62, sendo submetidos por Caio Pontino), e porque este rio é vadeável em muitos lugares. A última cidade dos alóbrogos e a mais próxima do território dos helvécios é Genava (ou Geneva). A cidade está ligada por uma ponte aos helvécios.

Pensavam persuadir este povo a deixá-los passar pelas suas terras, porque não lhes parecia ainda bem disposto em relação ao povo romano.

Com tudo pronto para a partida, fixam o dia em que deviam reunir-se na margem do Ródano: o dia 5 das Calendas de Abril (28 de Março de 58), no consulado de Lúcio Pisão e de Aulo Gabínio.

VII – À notícia de que pretendem fazer-se caminho pela nossa Provincia, César apressa-se a partir de Roma (Plutarco diz que demorou 8 dias de Roma a Genebra; teria, assim, partido de Roma a 20 de Março). Em marchas forçadas (de cerca de 100 milhas diárias), chega em frente de Genebra. Ordena que se mobilizem por toda a província tantos soldados quanto ela possa fornecer (na Gália ulterior havia apenas a X legião), e manda interceptar a ponte de Genebra.

Os helvécios enviam-lhe em embaixada os seus mais ilustres, com Nameio e Verucloécio: «tinham intenção de fazer rota pela Provincia sem nela cometer qualquer dano, pois não dispunham de qualquer outro caminho; rogavam que lhes fosse dada essa permissão (no passado, os helvécios tinham morto o cônsul de 107, Lúcio Cássio Longino, e feito passar sob o jugo o seu exército).

Para ganhar tempo até poder concentrar os soldados, César respondeu que ia reflectir e que voltassem pelos Idos de Abril.

VIII – Neste intervalo, a X legião e os soldados vindos da Provincia levantam, do Lago Lemano ao monte Jura, um muro de 19.000 passos de comprimento e de 16 pés de altura, a que se juntou um fosso. Terminada a obra, César estabeleceu postos e dispôs redutos.

Quando chegou o dia combinado para o encontro, disse-lhes: «que as tradições e os usos do povo romano não lhe permitiam conceder a ninguém a passagem pela Provincia...se quisessem passar à força, a tal se oporia».

Os helvécios ainda tentaram atravessar o Ródano, uns em barcos unidos e em jangadas, outros a vau...por vezes de dia, mais frequentemente de noite; mas esbarraram nas obras de defesa, bem como no ataque e nos dardos dos nossos soldados.

IX – Só lhes restava o caminho pelo país dos séquanos, mas por onde não podiam seguir contra a vontade destes, por causa dos desfiladeiros...enviam embaixadores ao éduo Dumnorige, para que a seu pedido os séquanos o consintam. Este obtém a permissão, conseguindo que (helvécios e séquanos) troquem mutuamente reféns.

X – É dito a César que os helvécios pretendem, passando pelos territórios dos séquanos e dos éduos, chegar ao país dos santões (Santones; antigos Saintonge, Aunis e Angoumois; actuais Charente, Charente Maritime e uma pequena parte da Gironda), que não fica longe do país dos Tolosates(“só” a 220 km; os Tolosates ocupavam quase todo o Alto Garona e parte do departamento de Gers; este povo formava a mais importante fracção dos volcas tectósagos; Volcae Tectosages).

Confia a Tito Labieno a defesa da linha fortificada e, em grandes etapas, alcança a Itália, onde recruta duas legiões (XI e XII) e retira três dos seus quartéis de Inverno em volta de Aquileia (VII, VIII e IX), apressando-se a voltar.

Para atalhar caminho, cruza os Alpes, pela garganta do Montgenèvre. Os Ceutrones (celtas; no alto vale do Isère ou Tarentaise; na Sabóia)Graioceli (graiócelos; encostas dos Alpes Graios, perto do monte Cenis)Caturiges (catúriges; celtas; alto vale do Durance; capital: Eburodunum; actual Embrun), que haviam ocupado as posições dominantes, tentaram cortar o caminho ao exército. Os romanos repelem-nos em vários recontros.

Em sete dias haviam chegado a Ócelo (Ocelum; actual Avigliana, no Dora Riparia; seria a capital dos graiócelos), que é a última praça da Província Citerior. Dali passam ao território dos Vocontii(vocôncios; confins do antigo Delfinado e da antiga Provença; actuais departamentos do Isère e do Drôme; capital: Vasio; actual Vaison-la-Romaine) na Província Ulterior. Depois, ao território dos alóbrogos; e dali, ao dos Segusiavi (segusiavos; povo cliente dos éduos; região de Forez e do Lyonnais), que eram os primeiros habitantes fora da Provincia, além Ródano.

XI – Os helvécios já haviam feito passar as suas tropas pelos desfiladeiros do Pas-de-l’Ecluse e atravessado o país dos séquanos, penetrando no dos éduos, a que devastavam os campos (romanos e éduos eram aliados desde 121). Os éduos enviam embaixadores a César, solicitando ajuda. OsAmbarri (ambarros; clientes dos éduos; nas duas margens do Saône; “amb-Arari”, do nome de então do rio, Arar; ocupavam o ângulo formado pelo Saône e o Ródano; parte do actual departamento do Ain; região de Annonay e de Ambérieu) fazem o mesmo. Alóbrogos, idem, pois que tinham aldeias e propriedades do outro lado do Ródano.

XII – Arar (baixo latim: Sauconna), que através das regiões dos éduos e dos séquanos corre para o Ródano, fá-lo com uma tão inacreditável lentidão que o olhar não consegue perscrutar-lhe o sentido do curso. Os helvécios atravessaram-no em jangadas e barcos presos uns aos outros.

Quando os batedores informaram a César que ¾ das tropas helvécias já haviam atravessado o rio, e que o último quarto estava ainda aquém do Saône, os romanos partem do seu campo (colina de Fourvières; pelas armas encontradas na aldeia de Saint-Bernard, a batalha ter-se-á dado ali, perto de Trévoux) à terceira vigília, e alcançam esse quarto que ainda não passara o rio.

Atacados sem o esperarem, embaraçados com as bagagens, um grande número é massacrado; os outros fogem, escondendo-se nas florestas vizinhas. Pertenciam ao Tigurinus pagus (cantões de Vaud e Friburgo e uma parte do de Berna). Os Tigurini, tendo deixado o seu país no tempo dos nossos pais, haviam morto o cônsul Lúcio Cássio e feito o seu exército passar sob o jugo (o legado Lúcio Calpúrnio Pisão, avô de Lúcio Pisão, o sogro de César, fora também morto nessa batalha do ano de 107).

XIII – Constrói-se uma ponte sobre o Saône, que todo o exército atravessa, perseguindo os helvécios.

Perturbados com a sua súbita chegada, dado que os romanos haviam feito num só dia a travessia que a eles lhes custara vinte, enviam embaixadores, chefiados por Divicon, que fora o seu general na guerra contra Cássio: «se o povo romano fizesse a paz com os helvécios, estes partiriam e estabelecer-se-iam nos lugares onde César entendesse fixá-los; mas que, se persistisse em lhes fazer guerra, se lembrasse do passado dissabor experimentado pelo povo romano e do antigo valor dos helvécios...»

XIV – César, em troca da paz, exige reféns em garantia das promessas feitas, bem como compensações aos éduos, aos aliados destes e aos alóbrogos. Divicon recusou-se a dar reféns.

XV – No dia seguinte os helvécios levantam o campo e marcham para noroeste, na direcção de Autun. César faz o mesmo; na vanguarda, toda a cavalaria: quatro mil homens recrutados em toda aProvincia e entre os éduos e seus aliados. Estes travam combate com a cavalaria helvécia (apenas 500 cavaleiros) em local desvantajoso e perdem alguns homens.

Ganhando audácia, a retaguarda helvécia fustiga por vezes a avançada romana. César impede os seus de combater, limitando-se a impedir que o inimigo fizesse saques e se abastecesse de forragens.

Assim se marchou por quinze dias, sem que os separassem mais de 5.000 ou 6.000 passos.

XVI – Enquanto isso, César reclamava dos éduos o trigo que lhe haviam prometido...por causa do frio, as searas ainda não haviam amadurecido e a própria forragem era parca. Ao trigo que subira o Saône em navios, não podia utilizá-lo, pois que se afastara do Arar na perseguição dos Helvetii e não queria perder o contacto com estes.

Quando viu que os éduos continuavam a arrastar o assunto, aproximando-se o dia em que havia que distribuir a ração de trigo aos soldados, convoca os principais dos éduos, em grande número no campo. Entre eles, Diviciacus e Lisco; este último assumia a magistratura suprema, que os éduos chamam vergobret, cargo anual e que dá o direito de vida e de morte sobre os seus concidadãos. César censura-os vivamente...não é possível comprar víveres nem obtê-los nos campos.

XVII – É só então que Lisco, levado pelo discurso de César, declara o que tinha calado até ali: «Que havia um certo número de personalidades adverso aos romanos, tendo junto do povo uma influência preponderante e um maior poder, privadamente, que os próprios magistrados; que estes homens, por discursos sediciosos e criminosos, desviam as massas de trazer o trigo que deviam fornecer, dizendo que, se não podiam ser os senhores da Gália, deviam pelo menos preferir o domínio dos gauleses ao dos romanos e não ter dúvidas de que, se os romanos triunfassem sobre os helvécios, arrebatariam aos éduos a sua liberdade, ao mesmo tempo que o fariam ao resto da Gália; que eram estes mesmos homens que informavam o inimigo dos nossos projectos e do que se passava no campo; que ele não tinha poder para os reprimir; mais ainda, que sabia a que perigo o expunha esta declaração, que fizera a César sob o esporão da necessidade, e que era essa a razão pela qual ele se calara também tanto tempo quanto possível».

XVIII – César sentia que este discurso visava Dumnorige, mas não querendo tratar do assunto diante de muitas testemunhas, termina rapidamente a reunião e retém Lisco. Interroga-o a sós sobre aquilo que dissera na assembleia. Lisco fala com mais liberdade e audácia. César interroga em segredo outras pessoas; verifica que Lisco diz a verdade: «Era realmente Dumnorix...que desejava uma perturbação política; havia já muitos anos, obtivera por ínfimo preço a cobrança das portagens e outros impostos dos éduos, porque, quando oferecia em lanço, ninguém ousava competir com ele; por este meio aumentara o seu património e se encontrava na situação de prodigalizar generosidades; mantinha permanentemente à sua custa uma numerosa cavalaria, que o rodeava, e tinha não só um grande poder sobre o seu país, como ainda sobre os estados vizinhos; tendo em vista o poder, casara sua mãe com um dos homens mais nobres e mais poderosos entre os bitúriges; ele próprio tomara mulher entre os helvécios; casara sua irmã pelo lado materno e os seus parentes noutros estados; amava e favorecia os helvécios por esta união; além disso odiava mortalmente César e os romanos, cuja chegada diminuíra o seu poder e restabelecera seu irmão Divicíaco no seu antigo crédito e nas suas honras».

César soubera ainda que o desaire do combate de cavalaria que tivera lugar uns dias antes era devido a Dumnorix e aos seus cavaleiros, que tinham dado o exemplo da fuga (porque era ele, Dumnorige, quem comandava a cavalaria auxiliar enviada a César pelos éduos), e que fora a sua fuga que assustara e arrastara o resto da cavalaria.

Os Bituriges habitavam entre o Loire e o Garona: uma parte do Bourbonnais e da Touraine e a região depois chamada Berry – actuais departamentos do Cher, Indre e parte setentrional do Allier (rio Elaver; Élaver).

Avárico (Avaricum), literalmente: «a cidade que está sobre o Avara» (Yèvre), a capital, é a actual Bourges. Antes do desastre de 52, foi uma das três ou quatro mais belas e ricas cidades da Gália; não reencontrou esta prosperidade na época romana.

Dando crédito a Tito Lívio (V; 34-35), teria sido um rei dos bitúriges, Ambigat, que ao enviar os seus dois sobrinhos, BellovesusSigovesus, um para Itália, outro para o Oriente, teria fundado o “império” gaulês que, no século IV, se estendia pela Grã-Bretanha, pela Europa Central (excepto a Suíça), pela Itália do Norte e pela região do Médio e do Baixo Danúbio. No século V, os bitúriges haviam exercido a hegemonia na Gália.

XIX – César considerava que tinha bastantes motivos para usar de severidade...mas temia ver Divicíaco afastar-se de si se enviasse seu irmão para o suplício. Assim, antes de empreender alguma coisa, manda chamar Divicíaco e fala com ele por intermédio de Caio Valério Procilo, um dos chefes da província da Gália (dos Helvii; filho de Caburo e irmão de Domnotauro) e que tinha a sua inteira confiança.

XX – Divicíaco roga-lhe que não seja demasiado severo com o irmão. «Se lhe viesse mal do lado de César, ocupando ele tão alto lugar na sua amizade, ninguém acreditaria que tal tivesse acontecido contra sua vontade e veria afastarem-se dele os corações de todos os habitantes da Gália».

César manda chamar Dumnorix, e, na presença de seu irmão, diz-lhe aquilo que lhe censura, expõe-lhe as suspeitas que tem contra ele e as queixas dos seus concidadãos, adverte-o que tem de evitar no futuro toda a desconfiança, diz-lhe que, por consideração para com seu irmão Divicíaco, lhe perdoa o passado. Coloca guardas junto de Dumnorige para saber o que faz e com quem fala.

XXI – No mesmo dia, avisado pelos batedores de que o inimigo se detivera no sopé de uma montanha (talvez a de Sanvignes), a oito mil passos do seu campo (Saint-Roman-sous-Gourdon), mandou reconhecer a natureza desta montanha e o acesso que ofereciam os seus contornos; informam-no que era fácil.

Tito Labieno, legado propretor, pela terceira vigília, levando os guias que haviam reconhecido o caminho, ocupa o cume da montanha com duas legiões. César, pela quarta vigília, marcha em direcção ao inimigo, destacando em frente toda a cavalaria.

À cabeça dos batedores está Públio Consídio, que passava por ser soldado muito hábil e servira no exército de Lúcio Sila e, depois, no de Marco Crasso.

XXII – Ao nascer do dia, quando Tito Labieno ocupava o cume da montanha e ele (César) não estava a mais de mil e quinhentos passos do campo dos inimigos, sem que tivessem conhecimento, como depois se soube pelos prisioneiros, nem da sua aproximação nem da de Labieno, Consídio corre para ele a rédea solta, anunciando que a montanha que Labieno recebera ordem de ocupar está na posse do inimigo, porque reconheceu ali as armas e as insígnias gaulesas. César conduz as suas tropas para uma colina vizinha e ordena-as em linha de batalha.

Labieno, que tinha ordem para não encetar batalha antes de ver perto do campo inimigo as tropas de César, a fim de que o ataque contra os inimigos se fizesse simultaneamente em todos os pontos, esperava os nossos depois de se ter apoderado da montanha e tratava de não combater.

Foi só quando o dia já ia muito adiantado que César soube pelos batedores que eram os seus que ocupavam a montanha, que os helvécios tinham levantado o campo e que Consídio, enlouquecido pelo medo, fizera um falso relatório acreditando ter visto o que não vira. Nesse mesmo dia, César seguiu os inimigos à distância habitual e estabeleceu o seu campo a três mil passos do campo deles(campo romano em Toulon-sur-Arroux; o dos helvécios a 4,5 km a oeste, na direcção de Sainte-Radegonde).

XXIII – No dia seguinte, estando-se a dois dias da distribuição de trigo ao exército e como Bibracte, de longe a maior e mais rica cidade dos éduos, apenas distasse 18.000 passos, o exército de César para ali se dirigiu (pelo velho caminho das cumeadas que passa por Abergèment).

Trânsfugas de Lúcio Emílio, decurio da cavalaria gaulesa, avisam o inimigo. Os helvécios, fazendo meia-volta, começam a fustigar a retaguarda romana.

XXIV – César, ao disso se aperceber, conduz as suas tropas para a colina vizinha (a de Montmort, a oeste de Toulon-sur-Arroux) e envia a cavalaria a suster o ataque do inimigo. Dispõe as quatro legiões de veteranos (X, VII, VIII, IX) em três linhas, a meio da colina; no cimo, as duas legiões que havia alistado recentemente na Citerior (XI, XII), com todas as tropas auxiliares...mandou ao mesmo tempo reunir as bagagens num só lugar (na posição mais elevada). Os helvécios, com todos os seus carros, depois de se reunirem e de terem repelido a nossa cavalaria graças aos seus batalhões cerrados, formam a falange e aproximam-se da nossa primeira linha.

XXV – Os nossos soldados, lançando de cima os dardos, facilmente romperam a falange inimiga... muitos dos seus escudos foram atravessados pelos dardos; o ferro dos dardos encurvara-se; não podiam arrancá-lo nem, com o braço esquerdo estorvado, combater desembaraçadamente; muitos preferiram largar o escudo, combatendo a descoberto; por fim recuam, retirando para uma elevação(colina de Armecy) a cerca de mil passos. Os nossos perseguiam-nos quando os boios e os tulingos, que fechavam a marcha e formavam a retaguarda inimiga, em número de uns quinze mil, nos apanharam pelo flanco e nos envolveram. À vista disto, os helvécios, na colina, começam a contra-atacar. Os romanos, voltando as suas insígnias, fazem frente dos dois lados: opõem a primeira e a segunda linha aos que haviam sido batidos e obrigados a recuar; a terceira aos novos assaltantes.

XXVI – Esta dupla batalha foi longa e encarniçada. Quando não puderam suportar por mais tempo os nossos assaltos, uns recuaram para a montanha, como já o tinham feito da primeira vez, os outros dirigiram-se para o lado das suas bagagens e dos seus carros. Durante toda esta luta, em que se combateu desde a sétima hora até à noite, ninguém pôde ver um inimigo voltar costas. Muito pela noite dentro, ainda se combatia junto das bagagens: eles, com efeito, tinham feito uma muralha com os seus carros, e de lá despejavam sobre os nossos que vinham ao assalto uma saraivada de frechas; alguns lançavam também por baixo, entre os carros e as rodas, piques e dardos que feriam os nossos soldados. Depois de longa luta, os nossos apoderaram-se das bagagens e do campo. A filha deOrgetorix e um dos seus filhos foram feitos prisioneiros. Depois desta batalha, restavam-lhes cerca de cento e trinta mil almas, que marcharam sem descanso toda a noite e que, sem interromper a marcha mesmo de noite, chegaram pelo quarto dia às terras dos Lingones; retidos os nossos durante três dias para tratar dos feridos e para sepultar os mortos, não puderam persegui-los. César intimou os língones, pelas suas cartas e pelos seus enviados, a não lhes ceder víveres, nem prestar qualquer socorro, com a ameaça, se o fizessem, de os tratar tal como aos helvécios. Ao cabo destes três dias, pôs-se a persegui-los com todas as suas tropas.

Os Lingones ocupavam a maior parte do actual departamento do Alto-Marne e parte dos departamentos de Aube, Yonne e da Côte-d’Or. A sua capital situar-se-ia onde hoje se ergue Langres.

XXVII – Reduzidos ao último recurso, os helvécios enviam deputados a tratar da rendição. César exigiu-lhes reféns, as armas e os escravos que haviam fugido para junto deles. Enquanto se trata disto, seis mil homens dos Verbigeni (actuais cantões de Argau, Luzern e uma parte do cantão de Berna), temendo serem condenados à morte ou esperando que, em tão grande multidão de homens que se rendiam, a sua fuga passaria despercebida, abandonam o acampamento a meio da noite e partem em direcção ao Reno e às fronteiras da Germânia.

XXVIII – César ordenou aos povos por cujas terras eles tinham passado que os procurassem e os trouxessem, se não queriam ser olhados por ele como seus cúmplices; assim que os trouxeram, tratou-os como inimigos; quanto aos outros, depois de haverem entregue reféns, armas e trânsfugas, viram a sua rendição aceite.

Ordenou aos helvécios, aos tulingos, aos latobrigos, que voltassem aos países de onde tinham partido; como houvessem destruído todas as suas culturas e nada mais possuíam com que se alimentarem, ordenou aos alóbrogos que lhes fornecessem trigo; e impôs-lhes que reerguessem as cidades e as aldeias que tinham incendiado. Agiu assim porque acima de tudo não desejava deixar deserto o país que os helvécios haviam querido abandonar, com medo de que a qualidade do solo atraísse do seu país para o dos helvécios os germanos de além Reno, e passassem assim a ser vizinhos da Província e dos alóbrogos. Satisfez o pedido dos éduos, que, conhecendo a sua notável bravura, queriam instalar no seu território os boios; os éduos deram-lhes de tudo e, consequentemente, admitiram que usufruíssem dos direitos e liberdades de que eles próprios, éduos, usufruíam.

XXIX – Foram encontradas no campo dos helvécios tabuinhas escritas em caracteres gregos que foram entregues a César. Estas tabuinhas continham a lista dos nomes de todos os emigrantes em estado de empunhar as armas, bem como uma lista separada das crianças, dos velhos e das mulheres. O total elevava-se a duzentos e sessenta e três mil helvécios, trinta e seis mil tulingos, catorze mil latobrigos, vinte e três mil ráuracos, trinta e dois mil boios. Entre eles, cerca de noventa e dois mil podiam empunhar armas. No total, havia cerca de trezentos e sessenta e oito mil indivíduos. Os que voltaram a suas casas foram recenseados, por ordem de César: verificou-se que o seu número era de cento e dez mil.

XXX – Uma vez terminada a guerra contra os helvécios, deputados de “quase” toda a Gália e os principais cidadãos de “cada” cidade vieram felicitar César. Pedem-lhe permissão para marcar um dia, com o seu consentimento, para a assembleia-geral de toda a Gália, em que tratariam de certos assuntos que queriam de comum acordo submeter-lhe.

A assembleia deu-se provavelmente em Bibracte (no Mont Beuvray, no Morvan, a 23 km de Autun); o campo de César situar-se-ia no que é agora Autun.

A cidade retirava o seu nome de uma fonte que corria do planalto e era adorada com o nome deDea Bibracte. As escavações de 1867 puseram a descoberto a cerca, as ruas, casas e oficinas de metais.

XXXI – Quando a assembleia se dissolveu, os mesmos chefes de Estado que já se tinham apresentado a César voltaram a procurá-lo e pediram-lhe o favor de conversar com ele em particular sobre uma coisa que interessava à salvação deles e à de todo o país. «O desejo deles, diziam, de que não se revelasse o que dissessem não era menos vivo nem ansioso que o de obter o que queriam; porque, se fosse revelado, ver-se-iam condenados aos piores suplícios. O éduo Divicíaco fez-se o seu porta-voz: disse «que o conjunto da Gália compreendia dois partidos, de que um tinha por chefe os éduos, o outro, os arvernos. Depois de longos anos de uma luta encarniçada pela preponderância, viram os arvernos e os séquanos chamar mercenários germanos. Cerca de quinze mil começaram por transpor o Reno; depois, o solo, a civilização do país e a sua riqueza agradaram a estes homens selvagens e bárbaros, e fizeram vir um maior número; encontravam-se agora na Gália cerca de cento e vinte mil.

Os éduos e os seus clientes por duas vezes lutaram com eles; foram repelidos, sofrendo um grande desastre, nele perdendo quase toda a sua nobreza, todo o seu senado, toda a cavalaria. Esgotados por estes combates desastrosos, viram-se na obrigação, eles que pela sua coragem e pelos seus laços de hospitalidade e de amizade com o povo romano se tinham tornado, havia pouco ainda, tão poderosos na Gália, de dar como reféns aos séquanos os seus mais nobres cidadãos e comprometer por juramento o seu Estado a não voltar a pedir estes reféns, a não implorar o auxílio do povo romano, a nunca tentar subtrair-se ao jugo imperioso dos seus vencedores.

Ele era o único em todo o Estado dos éduos que não pôde ser forçado a prestar juramento nem a dar os filhos como reféns; fugira do seu Estado e viera implorar a Roma o socorro do senado (Vê-se, noDe Devinatione (I, 41, 90), que ele fora hóspede de Cícero, a quem dera informações sobre a religião dos druidas. Uma passagem dos Panegíricos (8, 3) apresenta-o falando perante o senado, apoiado no seu escudo).

Porém, os séquanos vencedores ainda foram mais infelizes que os éduos vencidos, pois que Ariovisto, rei dos germanos, se estabelecera no seu país, conquistara um terço do território séquano, que era o melhor de toda a Gália, e ordenava-lhes agora que abalassem de outro terço, porque, poucos meses antes, vinte e quatro mil Harudes (provenientes dos territórios do Elba inferior, na região de Hamburgo) tinham vindo procurá-lo, para os quais tinha que encontrar onde se estabelecerem.

Aliás Ariovistus, depois de ter obtido sobre as forças gaulesas a vitória de Magetóbriga (arredores de Sélestat; Alsácia), governava como um tirano soberbo e cruel, exigia como reféns os filhos das mais nobres famílias e entregava-os, para exemplo, a todas as espécies de torturas, à menor coisa em contrário aos seus desejos ou às suas ordens.

Se estas declarações fossem reveladas a Ariovisto, não se podia duvidar de que ele faria sofrer o mais horrível suplício aos reféns que estavam em seu poder. Só César, pelo seu prestígio pessoal e pelo do seu exército, pela sua recente vitória, pelo nome do povo romano, podia impedir que um maior número de germanos atravessasse o Reno e defender toda a Gália contra a violência de Ariovisto.

XXXII – Quando Divicíaco terminou, os restantes puseram-se a implorar o socorro de César. Apenas os séquanos nada diziam, mas mantinham-se tristemente de cabeça baixa e de olhos postos no chão. César perguntou-lhes a causa, porém os séquanos nada respondiam e conservavam obstinadamente o mesmo silêncio lúgubre. Foi Divicíaco a explicar o que se passava: «tal era a sorte dos séquanos, mais lamentável e mais penosa ainda que a dos outros gauleses, porque nem sequer ousavam queixar-se, mesmo em segredo, nem implorar o seu socorro, tremendo com a crueldade de Ariovisto ausente; pelo menos os outros tinham o recurso de fugir, mas os séquanos haviam recebido Ariovisto no seu território...»

XXXIII – César, prometendo velar pelos seus interesses, dissolveu a reunião.

XXXIV – Enviou deputados ao germano, para lhe pedir que marcasse um encontro a meio do caminho entre os dois exércitos, por querer tratar com ele, dizia, de assuntos de Estado muito importantes para ambos. Ariovisto recusou... «que, de resto, lhe parecia surpreendente que tivesse questões com César ou, de uma maneira geral, com Roma.»

XXXV – Voltam a ser enviados deputados ao germano, com as seguintes instruções: «uma vez que, como único reconhecimento dos benefícios que recebera dele e do povo romano, quando, sob o seu consulado, fora saudado com o título de rei e de amigo pelo senado, se recusava a ir à entrevista para a qual fora convidado e a tratar com ele dos seus interesses comuns, dava-lhe a saber o que se segue: em primeiro lugar, proibição de travessia do Reno a novas hordas para as estabelecer na Gália; depois, ordem de restituir os reféns que tinha dos éduos; e de deixar os séquanos restituir os seus com o seu consentimento; proibição de importunar com as suas violências os éduos e de lhes fazer guerra, bem como aos seus aliados. Se assim agisse, conservaria para sempre o seu favor e a sua amizade e as do povo romano; se não aceitasse, apoiando-se no decreto do senado, publicado durante o consulado de Marco Messala e da Marco Pisão, que autorizava todo o governador da Província a proteger, tanto quanto o bem do Estado o permitisse, os éduos e os outros amigos do povo romano, não deixaria impunes as violências que fossem feitas aos éduos.»

XXXVI – Ariovisto respondeu «que o direito da guerra permitia aos vencedores dispor a seu grado dos vencidos; que o povo romano não tinha o hábito de se dirigir a outrem, mas a si próprio, para dispor dos vencidos. Se ele próprio não prescrevia ao povo romano o uso que devia fazer do seu direito, não era conveniente que o povo romano o entravasse no uso do seu. Os éduos tinham-se tornado seus tributários por terem tentado a sorte das armas, travado batalha e sido batidos. César fazia-lhe uma injustiça grave diminuindo com a sua chegada aos seus rendimentos. Não restituiria os reféns aos éduos; não lhes faria a eles nem aos seus aliados guerra injusta, se continuassem nos termos da sua convenção e pagassem todos os anos o seu tributo».

XXXVII – No momento em que César recebia esta resposta, chegavam deputados dos éduos e dos tréveros. Os éduos, para se queixarem de que os harudes, recentemente entrados na Gália, devastavam o seu país e que, mesmo lhe tendo dado reféns, não compravam a paz a Ariovisto. Os tréveros, para assinalarem que cem cantões dos suevos se haviam estabelecido nas margens do Reno e se esforçavam por atravessar o rio; e que tinham à cabeça dois irmãos, Navua e Cimbério.

Tendo reunido víveres a toda a pressa, César marcha contra Ariovisto.

Os Haedui, um dos mais poderosos povos da Gália, habitavam entre o Loire e o Saône, nos actuais departamentos do Saône-et-Loire, Nièvre e, parcialmente, nos da Côte d’Or e de Allier. Ocupando o território na junção dos vales do Loire, do Sena e do Saône, estendiam a sua influência até à Bélgica de então, pela sua aliança com os belóvacos.

Os Treveri povoavam as duas margens do Mosela, tendo por capital Trèves (Treveri; Trier), depois Augusta Treverorum.

XXXVIII – Depois de três dias de marcha, anunciam-lhe que Ariovisto marchava com todas as suas tropas sobre Vesonção (Vesontio; actual Besançon), a mais forte praça dos séquanos, e que estava já a apenas três dias de marcha das suas fronteiras (das fronteiras do país séquano).

Esta praça estava abundantemente fornecida de quanto é necessário à guerra e tão fortificada pela sua própria posição que oferecia grandes facilidades para fazer durar as hostilidades: o rio Dubis (Dúbis; actual Doubs) rodeia a praça quase inteiramente com um círculo, que dir-se-ia traçado a compasso; o espaço deixado livre por este rio não tem mais de seiscentos pés, e está fechado por uma montanha de grande altura (o monte de Buis) cuja base toca dos dois lados nas margens do rio. Um muro que o rodeia faz dele uma cidadela e une-o à cidade. César marcha sobre ela dia e noite em grandes etapas; apodera-se da praça e lá coloca uma guarnição.

XXXIX – Durante os poucos dias que se deteve junto a Vesontio, para se reabastecer de trigo e de outros víveres, as perguntas dos nossos soldados e as respostas dos gauleses e dos comerciantes, que só falavam da alta estatura dos germanos, do seu espantoso valor e treino militar, do aspecto dos seus rostos e do brilho dos seus olhos que muitas vezes nos recontros nos haviam sido insustentáveis...espalharam por todo o exército um enorme terror. Começou pelos tribunos militares, pelos prefeitos e por aqueles que, havendo seguido César por amizade, tinham mais experiência da guerra: uns, invocando pretextos vários para justificar a necessidade da sua partida, pediam permissão para se irem embora; alguns, que o ponto de honra empurrava para evitar a suspeita de cobardia, ficavam no campo, porém, não podiam dominar os seus rostos nem por vezes reter as lágrimas. Em todo o campo, não se fazia mais que selar testamentos. Estes ditos, este terror, abalavam pouco a pouco mesmo aqueles que tinham grande experiência dos campos: soldados, centuriões, comandantes de cavalaria. Aqueles que queriam passar por ter menos medo diziam que não receavam o inimigo, mas sim os desfiladeiros do caminho, a extensão das florestas colocadas entre eles e Ariovisto; ou a falta de trigo, se o abastecimento se fizesse mal. Alguns anunciavam mesmo a César que, no momento em que ordenasse levantar o campo e marchar, os soldados não obedeceriam às suas ordens e que, sob o império do medo, não marchariam.

XL – Vendo aquilo, depois de ter convocado o conselho e chamado a este conselho os centuriões de todas as coortes, começou por lhes censurar com veemência «quererem penetrar e discutir a sua finalidade e os seus desígnios. Ariovisto, durante o seu consulado, procurara com ardor a amizade do povo romano; por que razão haveria a supor agora que ele se afastaria tão cegamente do seu dever? Por seu lado, estava persuadido de que, quando ele conhecesse os seus pedidos e a equidade das suas condições, não renunciaria à sua amizade nem à do povo romano. E se, sob o impulso de um furor demente, lhes fizesse guerra, que tinham então a recear? Porquê desesperar do seu valor e da sua diligência? Aquele inimigo era já conhecido do tempo dos nossos pais, aquando da vitória de Caio Mário sobre os cimbros e os teutões (vindos da Jutlândia). Eram os mesmos homens que os helvécios muitas vezes defrontaram, não só no seu próprio território, mas também no deles, e que geralmente venceram, eles que, no entanto, não haviam podido resistir ao nosso exército. Se alguns se alarmavam com a derrota e a fuga dos gauleses, podiam encontrar-lhe a causa, se realmente a quisessem procurar, no cansaço provocado pela longa duração da guerra que os gauleses experimentaram quando Ariovisto, depois de se ter encerrado vários meses no seu campo e nos seus pântanos sem fazer nenhuma demonstração, os atacara de repente, já dispersos e desesperando de combater, e os vencera mais por hábil táctica do que pelo valor das suas tropas. Tal táctica podia triunfar com bárbaros sem experiência, mas sem dúvida que não esperava empregá-la com os nossos exércitos. Quanto àqueles que, para disfarçar o medo, alegavam as suas inquietações a respeito do abastecimento e das dificuldades do caminho, eram bem insolentes com o seu ar de não terem confiança no seu general ou de lhe prescreverem o seu dever. Ele tinha  preocupação com essas dificuldades; os séquanos, os leucos (Leuci; povo belga que vivia na região de Toul), os língones forneciam-lhe trigo; já as searas estavam maduras nos campos; quanto ao caminho, eles próprios o julgariam em breve. Pretendia-se que os soldados não obedeceriam às ordens e não marchariam! Estes ditos inquietavam-no muito pouco; sabia que um exército só se revoltava contra generais infelizes por erro seu ou culpados, por alguma defraudação descoberta, de cupidez. No que lhe dizia respeito, toda a sua vida testemunhava a sua integridade; e a guerra contra os helvécios, a sua sorte. Assim, faria imediatamente o que queria adiar, e levantaria o campo naquela noite, à quarta vigília, a fim de conhecer o mais depressa possível se era a honra e o dever ou se era o medo que prevalecia entre eles. Em suma, se ninguém o seguisse, ele partiria apenas com a X legião, da qual não duvidava e que seria a sua coorte pretoriana.» Esta legião era aquela a que César testemunhava mais afecto e cujo valor lhe inspirava mais confiança.

XLI – A X legião enviou os seus tribunos militares a prestar graças a César pela excelente opinião que dela tinha e a confirmar-lhe que estava inteiramente pronta para o combate. Depois as outras legiões enviaram os seus tribunos militares e os centuriões das primeiras fileiras a apresentar as suas desculpas a César, dizendo «que nunca elas tiveram hesitação nem temor e que nunca pensaram que a condução da guerra dependesse do seu juízo, mas sim do desígnio do general em chefe.»

César pediu um itinerário a Divicíaco, porque era ele, entre os gauleses, aquele em quem mais confiava, e pôs-se em marcha à quarta vigília, como dissera. Conduziu o exército por um país aberto, fazendo um desvio de mais de 50 milhas (para evitar as florestas e os desfiladeiros do Doubs, alcançando por Voray e o vale do Ognon a região de Villersexel).

Depois de sete dias de marcha ininterrupta, soube pelos seus batedores que as tropas de Ariovisto estavam a 24 milhas das nossas.

XLII – Informado da chegada de César, Ariovisto envia-lhe deputados: «aceitava, dizia ele, a entrevista anteriormente pedida, uma vez que César estava mais perto e pensava poder ir sem perigo». A entrevista foi marcada para o quinto dia do corrente (em que mês?). Neste intervalo, foram enviadas frequentes mensagens de uma e outra parte; Ariovisto pediu «que César não trouxesse para a entrevista nenhum homem a pé: receava cair numa cilada; ambos viriam com cavaleiros, de outro modo não iria.» César, que não queria que um pretexto suprimisse a entrevista, mas não ousava entregar a sua salvação à cavalaria dos gauleses, achou que o mais prático era servir-se dos cavalos dos cavaleiros gauleses e fazê-los montar por soldados legionários da X legião.

XLIII – Numa grande planície (A planície da Alsácia. Quanto ao local de entrevista e do combate paira a incerteza: proximidades de Montbéliard, de Sélestat, de Estrasburgo ou, mais provavelmente, de Cernay), a uma distância quase igual dos dois campos, elevava-se um extenso cabeço. Foi aí que, como combinado, os dois chefes vieram à entrevista. César fez deter a sua legião montada a duzentos passos deste cabeço; os cavaleiros de Ariovisto detiveram-se à mesma distância. Ariovisto pediu que falassem a cavalo e que cada um levasse dez homens consigo.

Quando chegou, César usou da palavra para lhe lembrar primeiro os seus favores e os do senado; «ele fora saudado pelo senado com o título de rei, com o título de amigo e cumulado dos mais ricos presentes; era, dava-lhe ele a saber, um privilégio que o senado concedia a poucas pessoas e, habitualmente, apenas por grandes serviços prestados. Demonstrava-lhe ainda quão velhas e quão justificadas eram as razões da amizade que ligava os romanos aos éduos; quantos senatus-consultos, e quão honrosos, tantas vezes haviam sido feitos a seu favor; que desde há muito, antes mesmo de terem procurado a nossa amizade, os éduos haviam exercido o seu principado sobre a Gália inteira. Era um hábito do povo romano querer que os seus aliados e os seus amigos não só nada perdessem do seu poder, como vissem ainda aumentar o seu crédito, a sua dignidade, a sua consideração: na verdade, quem poderia sofrer que se lhes arrancasse o que eles trouxeram à amizade do povo romano?» Apresentou em seguida os mesmos pedidos de que confiara o mandato aos seus enviados: «não fazer a guerra aos éduos nem aos seus aliados; restituir os reféns; e, se não podia enviar para suas casas nenhuma fracção dos seus germanos, pelo menos não consentir que outros atravessassem o Reno.»

XLIV – Ariovisto respondeu que «não atravessara o Reno por sua iniciativa, mas a pedido e a instâncias dos gauleses; não fora sem grande esperança de ricas recompensas que deixara o seu país e os seus próximos; as terras que ocupava na Gália foram-lhe concedidas pelos próprios gauleses; os reféns tinham-lhe sido entregues por eles voluntariamente, o tributo recebido segundo os direitos da guerra, em virtude do hábito que quer que os vencedores o imponham aos vencidos; não fora ele quem lançara a ofensiva contra os gauleses, mas os gauleses que a tinham lançado contra ele; todos os estados da Gália vieram atacá-lo, e opuseram os seus exércitos ao seu; ele, num só combate, dispersara e vencera todas as suas forças. Se queriam tentar uma segunda experiência, estava pronto para uma segunda luta; se queriam praticar a paz, era injusto recusar-lhe o tributo que voluntariamente tinham pago até esse dia. Pensava que a amizade do povo romano devia proporcionar-lhe honra e apoio, e não um prejuízo; e fora com essa esperança que o procurara. Mas se, graças ao povo romano, o seu tributo lhe fosse tirado e os seus súbditos subtraídos às suas leis, renunciaria à amizade do povo romano de tão boa vontade como a tinha procurado. Se fazia entrar na Gália um tão grande número de germanos, era para sua segurança, não para atacar a Gália: a prova estava em que só viera à Gália a seu pedido e não fizera uma guerra ofensiva, mas defensiva. Tinha vindo à Gália antes do povo romano. Nunca até àquele dia um exército do povo romano passara as fronteiras da província da Gália. Que lhe queria? Por que razão vinha contra as suas possessões? Aquela parte da Gália era a sua província, como a outra era a nossa. Tal como não lhe era permitido penetrar nas nossas fronteiras, assim nós éramos injustos perturbando-o no exercício dos seus direitos. Quanto ao título de irmãos que o Senado, dizia César, dera aos éduos, ele não era tão bárbaro nem tão destituído de experiência para ignorar que, na última guerra dos alóbrogos, os éduos não levaram socorro aos romanos; e que também não receberam auxílio do povo romano nas suas disputas com ele e com os séquanos.

Havia motivo para suspeitar que César, sem deixar de se dizer seu amigo, tinha um exército na Gália só para o perder. Se não se afastasse e não retirasse as suas tropas desta região, ele tratá-lo-ia não como amigo, mas como inimigo; se o matasse, faria coisa agradável a muitos nobres e chefes políticos de Roma, como soubera pelas mensagens daqueles de que receberia, pela sua morte (se matasse César), o favor da amizade. Mas se retirasse e lhe deixasse a livre posse da Gália, ele lhe testemunharia o seu grande reconhecimento, encarregando-se das guerras que César quisesse empreender sem que este tivesse de se expor à fadiga e ao perigo.»

XLV – César: «não estava nos seus hábitos nem nos do povo romano resignar-se a abandonar aliados muito merecedores e, por outro lado, não pensava que a Gália pertencesse mais a Ariovisto do que ao povo romano. Os arvernos e os rutenos (Ruteni; no antigo Rouergue; departamento de Aveyron; uma parte deles ao sul do Tarn, encontrava-se já incorporado na Província: Ruteni provinciales)foram vencidos por Quinto Fábio Máximo (em 121, nas margens do Ródano; Quintus Fabius Maximus Allobrogicus; cônsul nesse ano) e o povo romano havia-lhes perdoado, sem reduzir o seu país a província nem lhes impor tributo. Se havia que olhar aos direitos de antiguidade, o domínio do povo romano sobre a Gália era muito justificado; se era preciso observar a decisão do senado, a Gália devia ser livre, pois que o senado quisera que, vencida na guerra, conservasse as suas leis.»

XLVI – Durante estas negociações, vieram anunciar a César que os cavaleiros de Ariovisto se aproximavam do cabeço, empurravam os seus cavalos para os nossos homens e lhes lançavam pedras e frechas. César pôs termo à entrevista, retirou-se com os seus e proibiu-os de responder aos inimigos, nem que fosse arremessando-lhes um só dardo. Porque, se bem que visse que um combate da sua legião de elite contra a cavalaria não apresentasse perigo, não queria, contudo, expor-se a que se pudesse dizer, depois da derrota dos inimigos, que os surpreendera perfidamente no decorrer duma entrevista.

XLVII – Dois dias depois, Ariovisto envia deputados para notificar César do «seu desejo de retomar a conversa que tinham começado e que fora interrompida, pedindo-lhe ou que marcasse um dia para nova entrevista ou que pelo menos lhe enviasse um dos seus lugar-tenentes».

César pensou que não havia razão para a entrevista, tanto mais que, na véspera, os germanos não puderam impedir-se de lançar dardos contra os nossos. Também considerava muito perigoso enviar um dos seus lugar-tenentes. Acreditou ser mais conveniente enviar como deputado Caio Valério Procilo, filho de Caio Valério Caburo, adolescente muito corajoso e muito culto, cujo pai recebera o direito de cidadão de Caio Valério Flaco (governador da Gália Narbonesa; triunfou duas vezes, em 83 e em 81, pelos seus sucessos sobre os gauleses e os celtiberos): era seguro, conhecia a língua gaulesa, que uma prática já longa tornara familiar a Ariovisto, e os germanos não tinham qualquer razão para o maltratar; juntou-lhe Marco Mécio, que a hospitalidade ligava a Ariovisto. Encarregou-os de ouvir o que Ariovisto dissesse e de tal lhe prestarem relatório. Quando Ariovisto os viu na sua frente, no campo, gritou diante de todo o exército: «Porque vêm aqui? Para espiar?» Queriam falar; ele impediu-os e mandou pô-los a ferros.

XLVIII – Levantou o seu campo no mesmo dia e veio estabelecê-lo no sopé de uma montanha a seis mil passos do de César. No dia seguinte fez passar as suas tropas diante do campo romano e acampou dois mil passos mais adiante, com a intenção de interceptar os comboios de trigo e de outros víveres que lhe enviavam os séquanos e os éduos. Durante os cinco dias seguintes, César fez sair as suas tropas para a frente do campo e manteve-as em linha de batalha. Mas Ariovisto, durante todos esses dias, conservou o exército no seu campo, limitando-se a um combate quotidiano de cavalaria.

Eis qual era o género de combate: seis mil cavaleiros e outros tantos infantes entre os mais ágeis e os mais bravos haviam-se mutuamente escolhido, tendo em vista a sua própria segurança. Os cavaleiros combatiam com os infantes ou, em caso de necessidade, retiravam para junto deles; se havia um golpe duro, os infantes acorriam; se um cavaleiro, gravemente ferido, caía do cavalo, eles rodeavam-no; se era preciso avançar bastante longe ou retirar rapidamente, o exercício tinha-os tornado tão ágeis que, agarrando-se às crinas dos cavalos, os acompanhavam na corrida.

XLIX – Quando César se deu conta de que o seu adversário teimava em se fechar no seu campo, não querendo ter os víveres cortados por mais tempo, escolheu, para lá da posição que os germanos ocuparam, a cerca de seiscentos passos destes, uma posição vantajosa para acampar e para lá dirigiu o exército, disposto em três linhas. Teve a primeira e a segunda linha em armas; empregou a terceira na construção dos entrincheiramentos.

Ariovisto para lá enviou cerca de dezasseis mil homens de tropas ligeiras com toda a sua cavalaria, para assustar os nossos e impedir os seus trabalhos. César ordenou às duas primeiras linhas que enfrentassem o inimigo e à terceira que terminasse o trabalho. Uma vez fortificado o campo, deixou lá duas legiões e uma parte dos auxiliares; levou as outras quatro para o grande campo.

L – No dia seguinte, segundo o seu uso, César fez sair as tropas dos dois campos e tendo avançado a alguma distância do grande campo, dispô-las em batalha e ofereceu combate ao inimigo.

Como o inimigo não avançava, pelo meio-dia reconduziu o exército para os campos. Então Ariovisto envia uma parte das suas tropas ao assalto do pequeno campo: combate-se com encarniçamento até à tarde, com perdas consideráveis em ambos os lados. Pelo pôr-do-sol, Ariovisto reconduz as suas tropas aos seus entrincheiramentos.

César perguntou aos prisioneiros por que razão Ariovisto não travava batalha geral; e soube que era costume entre os germanos que as mulheres consultassem a sorte e fizessem oráculos (com pontas de madeira marcadas com um sinal, que se misturavam por cima de um pano branco; tiravam-se três ao acaso, interpretando os sinais que traziam (Tácito, “Germ.”; 10). Os oráculos eram prestados segundo as correntes dos rios e a interpretação dos ruídos (Plutarco, “César”, XIX, 4))para saber se chegara ou não o momento de combater; ora elas diziam «que os germanos não poderiam sair vencedores, se travassem combate antes da lua nova (que seria, então, a 18 de Setembro).»

LI – no dia seguinte, César deixou, a guardar os dois campos, as forças que lhe pareceram suficientes; colocou todas as suas tropas auxiliares à vista do inimigo, em frente do pequeno campo. Com isso(fazendo sair quase todas as suas forças) queria iludir o adversário, pois que o número dos seus legionários (as seis legiões apenas) era inferior ao dos inimigos.

Ele próprio, tendo disposto o exército numa tripla linha de combate, avançou até ao campo dos germanos.

Estes fizeram sair as suas tropas, colocando-as, horda por horda, com intervalos iguais: Harudes,Triboci (ou Triboces; tribocos ou triboces; margem esquerda do Reno, na região de Estrasburgo),Marcomani (marcomanos; ocupavam as marcas da fronteira, no Main; mais tarde migram para a Boémia)Vangiones (vangíones; habitando nas duas margens do Reno, a norte dos németes; capital: Borbetomagus, mais tarde Vangionum civitas; actual Worms)Nemetes (na margem direita do Reno; região de Spire)Sedusii (sedúsios; pequeno povo germano; entre o Reno e o Neckar), Suevi (poderosa confederação de povos germanos que ocuparia uma extensa região no nordeste do Reno; no entanto deram o seu nome à Suábia, que se situa bem mais para sul).

Para proibir toda a esperança de fuga, formaram junto deles uma barreira com os carros e as viaturas e para lá fizeram subir as mulheres, que, todas em lágrimas e de mãos abertas, suplicavam aos soldados que partiam para o combate que não as deixassem cair escravas dos romanos.

LII – César pôs à cabeça de cada legião um dos seus lugar-tenentes e um questor, para que cada um os tivesse como testemunhas da sua coragem. Ele próprio travou o combate na ala direita, porque notara que o inimigo era mais sólido daquele lado. Os nossos soldados, ao sinal dado, lançaram-se com tanta impetuosidade, e por seu lado o inimigo correu tão bruscamente e depressa ao seu encontro, que não houve espaço para lançar os dardos. Abandonados os dardos, travou-se um combate corpo a corpo à espada. Mas os germanos, segundo o seu hábito, formaram-se prontamente em falange e aguentaram o choque das nossas armas. Um grande grupo dos nossos soldados saltou para cima destas falanges, arrancou os escudos às mãos adversas e feriu o inimigo de cima para baixo. Enquanto a ala esquerda do inimigo era desbaratada e posta em fuga, à direita os nossos viam-se vivamente acossados pelo número. O jovem Públio Crasso, que comandava a cavalaria, apercebeu-se disto (porque estava mais liberto da acção do que aqueles que combatiam na refrega) e enviou a terceira linha para socorrer os nossos abalados soldados.

LIII – Esta medida restabeleceu o combate; todos os inimigos fizeram meia-volta e só pararam na sua fuga quando chegaram ao Reno, a cerca de cinquenta mil passos do campo de batalha. Ali, um muito pequeno número, confiando na sua força, tentou atravessar o rio a nado ou então deveram a sua salvação a barcas que encontraram. Neste número contava-se Ariovisto. Todos outros foram feitos em pedaços pelos nossos cavaleiros que os perseguiam.

Ariovisto tinha duas mulheres: uma de raça sueva, que trouxera da sua pátria; a outra do Nórico e irmã do rei Vocio (Vocião), que a tinha enviado para a Gália; ambas pereceram na derrota. Tinha duas filhas: uma morreu, a outra foi feita prisioneira.

Caio Valério Procilo era arrastado pelos seus guardas na fuga, carregado com uma tripla corrente, quando caiu nas mãos do próprio César, que perseguia os inimigos com os seus cavaleiros. Marco Mécio foi igualmente encontrado e levado a César.

LIV – Quando se anunciou esta batalha para lá do Reno, os suevos, que haviam já chegado às suas margens, voltaram para as suas terras; os povos que habitam perto do Reno, vendo o seu terror, perseguiram-nos e mataram-nos em grande número.

César conduziu o seu exército para os seus quartéis de Inverno entre os séquanos, um pouco mais cedo do que a estação exigia; confiou o comando a Labieno e partiu para a Gália Citerior.

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