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| Preâmbulo |
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| Escrito por Jorge Almeida | |
| 24-Set-2006 | |
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Este texto é um resumo do livro de Júlio César. O texto integral existe em português, em edição da Estampa. Como é natural, o resumo "trai" por vezes o discurso do autor. Por exemplo, muita da argumentação de César a propósito das suas "maldades" não é referida. É pois necessário, a quem queira conhecer a exposição completa das "razões" de Caio Júlio, a consulta do seu livro. As notas vão dadas a verde e os termos latinos em itálico. Jorge Almeida
PREFÁCIO (opinião) de Maurice Rat (“editorial estampa”, ano de 1989). Na sua redacção, serviu-se dos relatórios enviados após cada campanha ao senado; relatórios específicos dos seus lugar-tenentes sobre este ou aquele acontecimento nas campanhas; das recordações pessoais e, talvez, de notas próprias. Tem o cuidado de não conceder aos seus adversários que a verdadeira causa da conquista das Gálias foi a sua ambição desenfreada. Que hábil advogado é César em “A Guerra das Gálias” e também que hábil narrador! Estilo nu, despojado, usando um vocabulário muito simples, em que «foge como de um escolho de toda a palavra nova e insólita». Dá aos “Comentários” o tom impessoal, “objectivo”, de um comunicado...acredita-se estar-se lendo a linguagem da própria verdade. Nenhuma retórica, pelo menos aparente; nada que não sejam factos. Quase sempre, resume no estilo indirecto os seus discursos e alocuções: a impressão de objectividade sai disso reforçada...mesmo quando insere discursos de chefes gauleses na sua narrativa, temos a impressão de eles serem autênticos...de resto, não foi ele informado pelos trânsfugas? As alocuções de Vercingetorige são muito bem compostas, mas o chefe arverno havia estudado na escola dos druidas e, provavelmente, na de um retórico grego, as regras da eloquência. A mesma nudez, o mesmo tom impessoal na narrativa; nada de digressões, nada de dissertações...desdém pelos preâmbulos, tão queridos a Salústio e Tito Lívio... e entrada brusca na matéria. Espalhados pelo texto, à medida que vai desfiando os acontecimentos, pormenores sobre a origem e o tipo de vida dos bárbaros que combateu. Nas descrições, um quase absoluto desprezo pelo pitoresco. Não trata de ser dramático, sensível, de espicaçar a curiosidade do leitor; expõe, com uma clareza luminosa, a localização geográfica dos sítios, o itinerário das tropas, as fases de um combate ou de um cerco. Cícero (“Brutus”): «Os Comentários são despojados, como se faz no vestuário, de todo o ornamento oratório...De resto, ao propor-se fornecer materiais de que se serviriam os que gostariam de escrever história, fez sem dúvida qualquer coisa de agradável aos tolos, que serão tentados a levar o ferro de frisar; mas tirou a vontade de escrever aos homens de bom senso; porque nada é mais agradável em história do que uma concisão luminosa e pura». Só emprega palavras correntes; a sintaxe é das mais nítidas...escreveu com a elegância que o caracteriza, mas sem nunca esquecer que se dirigia a um vasto público e que lhe era necessário, para ser compreendido por todos, usar as palavras de toda a gente. Assim, o primeiro mérito do seu estilo é fazer esquecer o estilo; o primeiro mérito da sua linguagem é não confundir o leitor com termos especiais e construções complicadas. |
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| Actualizado em ( 18-Out-2006 ) |
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